sábado, 30 de março de 2013

"Olha, Dorothy".

A fotografia está em tons pastéis no filme do Allen. A imagem de Ogum e a vela. A linguagem incompreensível de um quase amor desiludido pelo movimento das coisas. As canecas nas árvores. A renite que atacou e a gripe que começou. O Lemiski no MON e o quase gozo no carro escuro da rua da garoa na noite anterior. O araçá no Bosque do Papa João Paulo II. A vontade de passar que não passa. 
A vida que continua sendo besta e cheia de creme de café que já está adoçado e que, com apenas uma colher para uma xícara de leite sem nata, faz a tudo ficar confortável. Só falta o cigarro. "Olha, Dorothy, aqui tem araçá". 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sobre a desesperança?

Não tô conseguindo escrever nada. Tá tudo estranho, esse pessoal muito homofóbico, muito racista, muito desinteressado em conversar, muito doutrinário... Tá muito foda. Meus amigos mais próximos todos em desespero com essa vida também. Cê pode passar por tudo isso sem se afetar. Mas pode ainda ser humano? Se você souber como passar sem se afetar e continuar ser humano, você me conta. Talvez seja interessante a perspectiva. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre empadinhas e o fim do mundo

As empadinhas são feitas com massa podre (é assim que se chama o tipo de massa das empadinhas lá em Minas). Muita banha e farinha. A massa é uma delícia. 
O mundo é feito de massa. (é assim que se concebe grande parte da matéria pelos estudantes da física). Muita pedra, terra, água e ar. A massa é grande, mas não é das maiores.
Desde 2003 eu conhecia e esperava o tal do dia 21 de dezembro de 2012 e, prestes a acabar o dia, não acabou o mundo. Minha mãe é que tá certa quando diz que a gente não merece essa mordomia. 
O que continua então? Empadinhas, muita pedra, terra, água e ar. 
E toda uma vida pra levar. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

meu olho esquerdo está começando a ficar embaçado eu acho que é de tanto ler esses textos de filosofia  estou com uma alergia que faz com que meu corpo se transforme em verdadeiras áreas de conflito entre minha unha que ataca as bolinhas meu cabelo cada dia que passa cai mais meu joelho começou a sair do lugar depois que eu comecei a correr sem ter um preparo físico com um profissional de educação física está chegando a porcaria do natal e do ano novo e tudo vai começar de novo a menos que o mundo realmente acabe em 10 dias e todas as vagas de estacionamento que eram de graça agora são pagas no centro de Curitiba o que faz com que eu tenha que pegar ônibus lotado de novo revivendo minhas épocas de 2009 mas sem um amor no coração e na cabeça que só pegava o trem azul e que agora pelo menos eu não amo ninguém
aja vem do verbo agir
haja vem do verbo haver
eu leio hilda hilst várias vezes no ônibus
esses pernilongos que são criações do demônio assim como a matemática 
queria viver umas três vidas pra ler tudo o que eu preciso ler ainda antes de morrer
Quero dizer, não quero não.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sobre o desconforto.

Eu preciso realmente aprender a técnica de isenção energética dos budistas. Não está sendo fácil lidar com a energia de tanta gente passando, correndo, engatinhando, na barriga, de muletas, mancando... Eu preciso me resolver e todos precisam também. Mas será que o mundo vai ficar chato se todas as pessoas forem de bem com a vida e sempre felizes e alegres e enfim... O mundo é bem chato agora, mas pode ser pior com os bom moços e polianas. Além da técnica de isenção, eu preciso me fixar nos momentos de reencantamento. Todo esse pessimismo que muito é resultado de tanta gente babaca espalhada por aí. Gente babaca que nem você, que tá aí reclamando da vida e não faz nada pra mudar. Mas aí eu lembro que eu reclamo e também não mudo. Ou seja, Todo esse pessimismo que é muito resultado da minha babaquice. Não é fácil botar a cabeça pra fora e acima da manada. Deus nos ajude. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Sobre mim e minha mãe.

A frequência de publicação aumenta de forma direta e proporcional aos ataques frequentes de alguma coisa que ainda tá difícil de nomear. Enfim, tô aqui vendo um filme sobre uma mulher que trabalha e trabalha e que cuida - ou pelo menos tenta cuidar - dos filhos e fazer com que a formação deles não seja traumática. Aí, eu me lembrei da minha mãe fazendo um porta-canetas com canudinhos quando eu estava na 3ª ou 4ª série. Ficou lindo e era numa garrafinha de um suco cítrico ruim pra caralho. Eu lembro que era de noite e lá estava a dona Marlene fazendo tranças nos canudos e depois os colando com super bond na garrafa de suco ruim. Lembro também de uns dias depois eu arrancar tudo falando que ficou horrível, pois a gente tinha brigado. Mas o super bond é bom e ainda restaram alguns canudinhos. 
Aí, essa semana de correria (pra variar) e num dos raros momentos em que eu passo com minha mãe, ou seja, dando carona ou fazendo supermercado, eu precisei tirar uma 3x4 pro exército e blá blá blá. Ela achou uma foto minha muito péssima, de quando eu tinha uns 12 anos com uma mensagem atrás dizendo que ela era linda e que eu a amava. Aí, eu fingi que ia rasgar e ela falou que se eu fizesse isso, era pra esquecer que ela era minha mãe. A gente riu, eu devolvi a foto e falei que eu fazia outra dedicatória em outra foto. Ela disse que não valeria mais, pois eu cresci e minha cabeça mudou...     ...    ...    ...
 Enfim, ela não achou uma foto boa (pois ela tava procurando uma pra eu não ter que tirar outra, ou seja, economizar - cabeça de economista). Tirei a foto. Voltamos. À noite, deixei a foto nova com uma dedicatória nova com uma cabeça nova embaixo  dos óculos de leitura dela que ficam na estante. No dia seguinte, eu acordei com um abraço diferente e com MINHA RAINHA, tal qual eu tinha escrito na foto, emocionada. 
Como bom canceriano, tenho questões emocionais mal resolvidas e grande apego com minha mãe. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tulipa

Para tudo se faz fila nessa cidade. Aquele friozinho de março só que em pleno setembro, no último dia do inverno. Aí, os ingressos não marcados e todos sentados. Eis que a explosão começa e foi muito bom ver que a música brasileira ainda presta. Peço licença da etnomusicologia por um instante. Às favas as produções sonoras. Tô julgando - é, julgando mesmo. Juízo de valor. Então, licença concedida, a música brasileira tem salvação. 
Tulipa fuckin' Ruiz! Dessas cantoras com agudos e presença de palco. Dessas cantoras que cantam olhando pro olho da gente, flertando mesmo. Dessas cantoras que fazem quatro músicas de bis e, na última, vai brincar com seu público. 
Eu conheci a Tulipa e de cara, ela tá associada à minha vidinha besta que compreende exatamente um ano: de setembro de 2011 até agora mandar parar. Daí, já me apaixonei com Só sei dançar com você, já dirigi ouvindo o cd em looping, cada hora escutando um detalhe novo. E cada vez ainda dá pra descobrir um bumbo ali, um rifizinho de guitarra meio escondido, um salto melódico, um cowbell bem na hora da virada do martelo. Vou ficar mais um pouquinho
Nunca vou me esquecer de Víbora ao vivo e a minha parceria com ela... Cantar olhando no olho... Ai, Tulipa.
Eu ainda fico esperando Fruta Gogóia logo na sequência de Só sei dançar com você que é a ordem que toca no meu carro. Mas, who is Tulipa? Tulipa Ruiz, que não é filha da Alice com o Paulo. 
E os méritos a quem também tem salvado a música brasileira: Trupe Chá de Boldo e Marcelo Jeneci. 
Obrigado.